A Visita dos Franceses - Capítulo 35: A Angústia Paterna

[Edward]

A aurora, aquela que tantos românticos diziam ter “dedos cor-de-rosa”, despontou no céu. Nosso trio de resgate disparava pelas florestas escuras da França, consciente de que os nossos inimigos deviam estar caçando humanos em matas semelhantes.
Eu estava absorto em pensamentos – próprios e alheios, mas tentava me concentrar apenas nos meus.
Outra vez, estava descobrindo sentimentos que já lera em inúmeros livros e vira em milhares de filmes, mas só realmente os sentia agora.
Era a angústia paterna.
Bella, com seus olhos doces e recentemente diluídos em ouro líquido, avaliou meu rosto e sentiu, como perceptiva que sempre fora, a minha dor interna.
Carlisle distanciou-se para que tivéssemos privacidade.
Diminuímos a velocidade até parar. Adiantei-me, observando o horizonte branco pela neve. Bella passou os braços por meu tórax, me abraçando delicadamente pelas costas.
– Estamos a pouco tempo de Paris, acalme-se – ela me tranquilizou, a voz suave e apaixonada. Tentando disfarçar a preocupação, como bem a conheço.
– E qual a fonte dessa informação? – resmunguei esperando que ela me levasse na esportiva.
Rindo baixinho, ela apontou para uma placa distante e semicoberta pela vegetação.

“PARIS – 50 KM”

Essa eu não pude agüentar: acompanhei sua risada, ambivalente.
– Bella bobinha – ri enquanto acariciava seu cabelo macio cor de mogno. Mas o bom humor pouco durou; Renesmee voltou a ocupar minha mente.
– Vamos logo, são apenas 50 quilômetros.
Era impressionante a mudança de Bella. Nunca,
jamais Bella diria apenas 50 quilômetros com tamanha calma se fosse humana. Mudança excelente.
– Carlisle – chamei-o num murmúrio, sabendo que ele ouviria.
Quando meu pai se reuniu a nós, voltamos a correr.
“Bella ficará exultante ao saber que já tem os olhos dourados” pensou Carlisle.
– Ela ficou. – confirmei simplesmente.
Sorrindo carinhosamente para ela, Carlisle falou com sinceridade:
– Parabéns. Estou muito orgulhoso de você, Bella. – e ao ver a confusão em seus olhos, esclareceu – Pelos olhos dourados.
Se ainda fosse humana, sem dúvida estaria deliciosamente corada. Ela deu um sorriso tímido e olhou para a floresta, sem graça.
– Obrigada. Pela confiança. Por tudo.
E os primeiros edifícios surgiam. Reduzimos, novamente.
Tirei o celular do bolso e disquei o número de Alice.
Rosalie atendeu.
– Edward?
Estava sem paciência para falar com Rosalie no momento.
– Rosalie, passe para Alice, por favor.
– Alice não pode atender agora; Ela foi à Olympia com Jasper e Esme.
Suspirei.
– Como estão? – ela indagou, a voz fervilhando de curiosidade.
– Bem. Queremos saber se Renesmee ainda está no aeroporto.
– Humm. Alice disse algo sobre casa de vampiros amigos de olhos vermelhos e...
Desliguei o telefone.
Vampiros. De olhos vermelhos.
Desejei que Rosalie estivesse novamente me passando uma informação errônea.
Foi quando senti o cheiro de minha filha.
– Sintam! Ela está aqui por perto!
Carlisle e Bella farejaram o ar; Bella soltou uma exclamação aliviada.
– Ali!
Ela apontou para um Renault que se aproximava na estrada. Estava certa, reconheci o rosto de Stuart no banco de motorista. Eles ainda não podiam nos ver.
Ninguém esperava pelo que aconteceu a seguir.

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